Cosplay: Pérola Luizi (Azula), Marco Antonio Rodrigues (Charada) e Danielle Leoni (Alice)

O Rio é Geek

19/04/2017 em GGRF

via Guia Rio Show /Online
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Cosplay: Pérola Luizi (Azula), Marco Antonio Rodrigues (Charada) e Danielle Leoni (Alice)


Brenda Sant'Anna e Ingrid Barros: cyberatletas competem na Geek & Game Rio Festival


Final de League of Legends levou milhares de fãs ao Circo Voador

No dia oito de abril, cerca de duas mil pessoas, principalmente jovens e adolescentes, lotaram a lona do Circo Voador, na Lapa. A ocasião, contudo, não era o show de um grande nome da MPB ou de uma banda internacional de rock, mas o Torcida LoL. Para aqueles que deixaram de jogar videogame na era do Atari e do “Pac Man”, LoL significa “League of Legends”, um dos mais populares e-sports do mundo; ou, em bom português, esportes eletrônicos. A molecada que vibrou e torceu para sua equipe favorita na final do 1° Split do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL), no entanto, é apenas uma pequena parcela do universo nerd — que inclui histórias em quadrinhos, literatura fantástica, animes, mangás, cosplay, esportes eletrônicos e board e card games — que está cada vez mais em voga em todo o mundo. 

Seguindo essa tendência, o Riocentro recebe, de sexta a domingo (21 a 23.4), o Geek & Game Rio Festival (GGRF), evento que traz estandes de expositores, editoras e vendas de produtos, mega-arena de e-sports, com arquibancada, palco e telão, competição de cosplay, palestras, meet & greet com autores internacionais, feira de artistas independentes e o espaço infantil Little Heroes.

Apesar de serem sucesso em cidades como Tóquio (Comiket), Colônia (Gamescon) e Nova York (Comic Con), eventos desse porte não são rotineiros no Rio. É na base da paixão e da entrega, em encontros em lojas, gibiterias e restaurantes, que a cena geek carioca floresce.

Foi assim, em pequenas lan houses suburbanas, que Ingrid Barros, cyberatleta que compete no evento do Riocentro, começou a jogar esportes eletrônicos. Mas a atividade não é brincadeira. Num mercado que movimenta milhões ao redor do mundo, a prática exige disciplina e dedicação.

— Comecei jogando em casa, brincando. Queria ser melhor que meu irmão mais velho, só por implicância. Depois vieram as competições — diz Ingrid, de 27 anos, que compete pela equipe Progaming E-Sports na GGRF na categoria feminina de “Counter Strike: Global Offensive”, um dos jogos de tiro em primeira pessoa mais praticados no planeta.

Para uma atleta de CS, como o jogo é conhecido, a rotina pode ser dura.

— Treinamos de segunda a sexta, de meia-noite às 3h. Nas semanas que antecedem torneios, fazemos maratonas nos fins de semana, das 14h às 2h — conta Ingrid, formada em análise de sistemas. — Quando trabalhava numa construtora, quase não tinha tempo para jogar. Hoje, como faço home-office na minha marca de e-commerce, consigo praticar o necessário — garante.

Segundo ela, o machismo também é presente no mundo dos e-sports.

— No exterior, os prêmios das categorias masculinas giram milhões. Já as femininas recebem cerca de US$ 20 mil. Aqui no Brasil, as equipes de mulheres não recebem salários, por exemplo. Espero que essa realidade mude. Já vejo isso no GGRF, que vai pagar o mesmo para a premiação de homens e mulheres — afirma a jogadora, que adota o nick name Ingrid Favret nas disputas online.

O sucesso dos e-sports é tão grande que o público carioca ganhou no mês passado a Promo Arena, na Barra, espaço feito para abrigar treinamentos e competições.

— É um lugar bem legal, com área de jogos, lounge. E as máquinas são muito boas. O Rio é carente desse tipo de iniciativa — avalia Ingrid.

Há quase 25 anos em Ipanema, a Point HQ, que hoje também tem uma filial na Tijuca, é um oásis para os fãs de quadrinhos. Instalada no terceiro andar de uma antiga galeria da Visconde de Pirajá, a loja tem um acervo de dezenas de milhares de itens, entre HQs, mangás, fumetti (quadrinhos italianos), jogos e colecionáveis.

— Compro desde os 12 anos. Ia a sebos, e tudo era desarrumado, bagunçado. Por isso quis fazer um espaço com revistas envelopadas, em ordem alfabética e numérica, dividida por seções e temas, bem organizado — diz o proprietário, Tássio de Carvalho, de 53 anos, cuja coleção particular tem mais de 20 mil revistas.

Na Point HQ, todo sábado é reservado para eventos de card games ou de board games (como a turma chama os jogos de tabuleiros), sempre às 11h da manhã. O preço da inscrição pode variar de R$ 15 a mais de R$ 100, dependendo da modalidade do dia.

— Os maiores sucessos são os torneios de Yu-Gi-Oh! e Magic. Este último, inclusive, será a atração de amanhã (sábado, dia 22), com o lançamento da nova expansão — adianta Carvalho.

Para ele, o alto valor dos jogos é uma barreira para a expansão dos board games.

— A taxação é muito elevada, encarece o produto final. Há títulos que saem a mais de R$ 350 — comenta.

Organizador do Castelo das Peças, evento (quase) mensal de jogos de tabuleiros que ocorre na sede tijucana da Universidade Veiga de Almeida, o designer Alexander Gomes acredita que o mercado dos game boards está em pleno crescimento:

— Reunimos entre 70 e 80 pessoas em cada encontro. Além da Grow, temos empresas de qualidade como a Galápagos e a Pensamento Coletivo. A indústria nacional, mesmo que independente, está ganhando corpo — afirma Gomes, de 49 anos, conhecido como “Shamu”, nome da falecida baleia orca do parque aquático SeaWorld.

O acervo do Castelo das Peças, batizado em referência ao templo funk Castelo das Pedras, disponibiliza cerca de 300 jogos.

— Tenho mais de 160 em casa, é a cabeceira da minha cama — brinca Gomes. — Busco levar um acervo eclético para os eventos, já que sempre tem gente nova. Para mim, o barato é a socialização. Gosto de me reunir com as pessoas, falar besteira. Detesto jogo online. Meu sobrinho joga board game comigo há 14 anos. É uma atividade extremamente prazerosa — define.

Um das atrações da GGRF, onde dará a palestra “A influência da cultura pop na formação literária” ao lado de Affonso Solano e Eduardo Spohr, o jornalista, tradutor e escritor de fantasia Andre Gordirro, adepto dos card games há um quarto de século, também acredita que o barato da atividade seja encontrar os amigos.

— Jogo “Dungeons & Dragons” desde 1992. Como todo mundo casou, teve filho, essas coisas, os finais de semana ficaram inviáveis. Então, às quintas, os nerds vêm aqui jogar, como fazíamos há 20 anos. É sagrado — diz Gordirro, que se define como um “geekólogo”. — Sou especialista em assuntos geek, principalmente “Star Trek” e “Star Wars”. Tenho uma coleção que ocupa quatro quartos, com cinco mil gibis da Marvel, uma estante de RPG. Tenho Darth Vader até no chuveiro — gargalha Gordirro.

Para o “geekcólogo”, o apreço pela fantasia não é diferente de outros vícios mais nocivos:

— É como o álcool. Mas somos da geração saúde, a galera não passa nem da coca-cola. Mas é um escapismo como outro qualquer. E tão dispendioso quanto — revela Gordirro, que pediu a namorada em casamento num evento geek realizado na livraria Da Vinci, no último mês. 

Game of Boards, no Catete, e Toys For Funs, na Ilha do Governador, engrossam a lista de endereços geeks no Rio. E Niterói também tem um point para fãs do gênero, a Boards & Burgers, em Icaraí.

— A ideia do B&B surgiu para unir quem gosta de board game e de hambúrguer premium — conta Daniel Figueiró, formado em Matemática, concursado da Petrobras e fanático pelos tabuleiros. — Temos 14 mesas de jogos e mais de 300 títulos. É um hobby de socialização por natureza.

No Rio, outro point geek é a Redbox Store, no Centro, com agenda de eventos de segunda a sexta, sempre a partir das 19h.

— Vendemos card e board games, toy art, funko (simpáticos bonequinhos cabeçudos colecionáveis de cultura pop) e acessórios — enumera Eduardo Novaes, proprietário da loja e jogador de Magic”

Um famoso hobby nerd que exige muito tempo, dinheiro e esforço é o cosplay. Afinal, importar fantasias de fora ou construir com detalhes o look de seus personagens favoritos não é uma atividade de baixo custo.

— Uma fantasia boa, de competição, não sai por menos de R$ 1 mil — explica Pérola Luizi, de 31 anos, que faz cosplay desde 2009.

Para a foto desta matéria, a promotora de eventos se vestiu de Azula, do desenho “Avatar: a lenda de Aang”.

— Ela é um dos 30 personagens que já fiz. Quando montei a fantasia da Cinderela, cheguei a comprar mais de oito metros de tecido — confessa Pérola.

De acordo com ela, é necessário “desmistificar” o pessoal que faz cosplay:

— A mídia distorce muito o nosso universo, dizendo que é coisa de criança. Não vamos de cosplay à padaria. A fantasia é um bem precioso, cuidamos bem dela — ensina. — Já viajei ao Japão graças a um concurso (ICW). A cultura nerd está na moda.

SERVIÇO

Boards & Burgers: Rua Mariz e Barros 214, Icaraí, Niterói — 3617-3126. Ter a dom, das 16h à meia-noite.

Castelo das Peças 95: Universidade Veiga de Almeida. Rua Ibituruna 108, Tijuca. Sáb, das 9h às 17h30m.

Game of Boards: Rua Corrêa Dutra 99, Catete — 2557-7277. Seg a sáb, das 14h às 20h.

Lupulino: Rua Professor Álvaro Rodrigues 148, Botafogo — 2535-0988. Às terças, a partir das 19h, o bar de cervejas artesanais promove encontros de board games.

Promo Arena: Av. das Américas 6.700, loja 129, subsolo, Barra — 2431-2065. Seg a sáb, das 9h às 20h.

Redbox Store: Av. Treze de Maio 33, loja 406, Centro — 3174-2222. Seg a sex, de 11h às 20h. Sáb, das 10h às 15h. 

Toys for Fans: Estrada do Galeão 2.315, loja 207, Ilha do Governador — 2462-4312. Seg a sex, das 14h às 21h30m. Sáb, das 9h às 16h.



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